O Coletivo Atravessamentos nasceu de gente indignada.
De gente insubordinada.
De gente cansada de assistir às injustiças e seguir como se nada tivesse acontecido.
Antes de existir um coletivo, existia uma pergunta que nos atravessava: o que fazer com toda essa indignação?
O que fazer com aquilo que incomoda, revolta, inquieta e não nos permite simplesmente aceitar o mundo como ele está? Como transformar a indignação em movimento sem precisar caber nos lugares que já estavam dados? Como construir alguma coisa sem reproduzir as mesmas hierarquias, silenciamentos e formas de poder que tanto nos incomodavam?
Foi desse incômodo que, em junho de 2022, em Jataí, no interior de Goiás, começamos a nos encontrar.
E talvez o Atravessamentos tenha começado justamente aí: quando percebemos que não precisávamos responder sozinhos àquela pergunta.
Encontramos na educação popular, na arte e na produção cultural maneiras de transformar inquietação em criação. Fizemos rodas, oficinas, exposições, filmes, formações, intervenções. Ocupamos espaços, inventamos outros. Aprendemos que uma câmera, um tear, uma conversa, um desenho, uma sala de aula, uma parede ocupada por obras ou uma roda de pessoas podem ser lugares de produção de conhecimento, de memória, de resistência e de transformação.
Mas o Atravessamentos nunca foi somente aquilo que fazemos.
É, sobretudo, um lugar onde podemos ser.
Queríamos nos desinstitucionalizar.
Ou, talvez, inventar nossas próprias formas de institucionalidade.
Desde 2022, muita coisa nos atravessou. E nós também atravessamos muitos lugares, pessoas e histórias. O coletivo tornou-se movimento; e hoje somos também Ponto de Cultura da Rede Cultura Viva.
Ainda assim, aquela pergunta permanece conosco.
O que fazemos com a nossa indignação?
Criamos.
E fazemos isso juntos.
Sem deixar de ser quem somos.
Somos gente atravessada pelo mundo e disposta a atravessá-lo de volta.
Somos Atravessamentos.